Impacto do programa

    Uma apresentação mais sistemática dos resultados do Programa de infraestrutura foi proposta pelo Conselho Superior da Fundação e começou a ser feita com a publicação de uma série de suplementos especiais sobre o programa, acompanhando edições da revista Pesquisa FAPESP.

    O primeiro suplemento especial, que acompanhou a edição de abril de 2001, tratou do impacto do programa nas bibliotecas, nos arquivos e nos museus paulistas.

    Ali é possível acompanhar as transformações ocorridas nas bibliotecas das universidades – onde as obras em papel agora convivem com informações acessadas pela internet, por meio de redes de computadores, algumas operando por fibras ópticas, que abriram novas perspectivas para as consultas.

    É possível dimensionar, também, a importância dos trabalhos de restauração e preservação de livros e documentos raros, de bibliotecas de instituições centenárias, como a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (a mais antiga biblioteca pública da capital), ou de acervos importantes, como o do Arquivo do Estado, o do Museu de Zoologia e o do Museu de Arte Contemporânea, para citar apenas alguns exemplos.

    O segundo suplemento especial circulou no mês de maio de 2001 e mostrou os efeitos dos investimentos feitos pelo Programa de infraestrutura na implantação de redes de informática nas universidades e nos institutos de pesquisas localizados no Estado.

    Como uma malha subterrânea de fios, fibras e cabos, essas redes ligam, entre si e com o mundo, laboratórios, institutos, faculdades, campus universitários, agilizando o processamento e a troca de informações com um enorme impacto, embora não diretamente mensurável, sobre a produção científica, e permitindo que as universidades e os institutos paulistas acompanhassem as mudanças tecnológicas globais.

    A instalação e a expansão das redes também deram lugar aos grandes projetos de cunho cooperativo, envolvendo pesquisadores de vários locais e de várias disciplinas, como os programas Genoma-FAPESP, Biota-FAPESP e Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid).

    Foram as redes que permitiram, também, a participação de pesquisadores brasileiros em importantes projetos internacionais, como no Pierre Auger, observatório de raios cósmicos localizado no sul da província de Mendoza, na Argentina.

    Nesse projeto participam cientistas de mais de 20 países, na análise dos dados recolhidos pelo observatório. Em junho de 2001, um terceiro suplemento especial tratou da recuperação dos laboratórios de pesquisa do Estado, focalizando as áreas de Agrárias, Biologia e Saúde, três setores do conhecimento que sempre foram fortes na pesquisa paulista e possuem tradicionais instituições, algumas centenárias, responsáveis por pesquisas cujos resultados transformaram o panorama do Estado em questões fundamentais, como a da produção agrícola, a de saúde pública e atendimento médico.

    As reportagens mostraram que praticamente todas elas estavam com seus laboratórios e ambientes de pesquisa comprometidos, em maior ou menor grau, por problemas que iam da total ruína das redes elétrica e hidráulica – as primeiras, incapazes de suportar a instalação de equipamentos que demandassem energia elétrica; as segundas, comprometendo e inviabilizando pesquisas – à inexistência de bancadas adequadas, capelas para exaustão de gases tóxicos, ambientes climatizados indispensáveis à pesquisa etc.