Empreendedores apoiados pelo PIPE serão capacitados na Royal Academy of Engineering

28 de setembro de 2017

Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – "Imagine ter um filho com deficiência e não poder nem mesmo jogar videogame com ele?" Foi assim que Talita Dias, fisioterapeuta e fundadora da startup Bridge Games – empresa de desenvolvimento de jogos que promovem estímulos motores e cognitivos, além de criar relatórios de desempenho, para auxiliar no processo de reabilitação –, iniciou a apresentação de sua empresa para outros empreendedores durante uma simulação de elevator pitch, modo sucinto de apresentação de um negócio que tem como objetivo atrair investidores ou clientes.

“Criamos a possibilidade de fazer a reabilitação de crianças com deficiências motoras e cognitivas por meio de jogos eletrônicos e assim garantir inclusão, diversão com a família, além de integrá-las ao mundo digital", ela continuou.

Dias participava do Workshop LIF ALUMNI, encontro preparatório que reuniu 14 pequenos empresários do Estado de São Paulo selecionados para o programa de treinamento Leaders in Innovation Fellowships (LIF), oferecido pela Royal Academy of Engineering, na Inglaterra. O encontro teve mentoria de David Falzani e David Harris, professores do LIF.

Na Inglaterra, além de apresentar o projeto de suas empresas, eles serão capacitados para comercializar as tecnologias e inovações que estão desenvolvendo por meio de projetos apoiados pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.

Será a quarta edição do programa LIF com empreendedores brasileiros. O programa é uma parceria da Royal Academy of Engineering com a FAPESP no âmbito do Newton Fund – fundo de fomento à pesquisa e inovação em países emergentes do governo do Reino Unido. Neste ano, o LIF priorizou empresas com foco em três grandes áreas temáticas no Brasil: meio ambiente e biodiversidade, saúde e transformações urbanas.

Modelagem de negócios e pitching

A expectativa entre os empreendedores selecionados é grande. “Este curso será muito importante, pois vemos que na parte técnica e de conhecimento estamos muito bem capacitados. Já em questões importantes como precificação, busca de parceiros e até mesmo como vender nosso projeto temos que melhorar. Acredito que o curso será um divisor de águas”, disse Polyana Tizioto , da NGS Soluções Genômicas.

A empresa de Tizioto utiliza técnicas de sequenciamento genômico de nova geração (NGS, na sigla em inglês) para identificar microrganismos. “Isso pode ser útil para identificar contaminantes no processo, por exemplo, de fabricação de bebidas e alimentos. É uma metodologia nova que ainda não tem tantas aplicações para o agronegócio e nós estamos criando essas aplicações”, disse à Agência FAPESP.

Com duas semanas de duração, o programa da Royal Academy of Engineering tem o objetivo de capacitar jovens pesquisadores e potenciais empreendedores de países em desenvolvimento em vias de comercializar novas tecnologias criadas a partir de suas pesquisas.

“O programa PIPE completou 20 anos em 2017 e vem crescendo. No ano passado, tivemos um recorde de inscrições. Os empreendedores que vão participar do LIF terão uma oportunidade única de desenvolver habilidades importantes para comercializar os produtos e serviços que estão sendo desenvolvidos à base de muita pesquisa e inovação”, disse Sérgio Robles Reis de Queiroz, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (DPCT – Unicamp) e coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da FAPESP.

Na primeira semana do programa, os participantes receberão um treinamento em modelagem de negócios por especialistas independentes, com forte histórico de atuação em empreendedorismo em tecnologia e em startups.

Já na segunda semana, participarão de sessões de treinamento em negociação, liderança, finanças, regulação de mercado, apresentação em público do próprio negócio (pitching) e habilidades de comunicação e enfrentarão um desafio real de mercado apresentado por uma empresa britânica.

“Fico me perguntando que habilidades gostaria de ter quando comecei há 30 anos. Certamente seriam vendas e negociação. Vejo que até mesmo as empresas com melhor tecnologia precisam melhorar a capacidade de venda. E de fato não é muito fácil entender o que faz os consumidores felizes”, disse David Falzani, engenheiro com longa carreira empreendedora e um dos mentores do LIF que veio à FAPESP, na semana passada, para participar do Workshop.

A ideia é que, ao final do curso, os participantes desenvolvam um plano de comercialização para suas inovações, com apoio de especialistas, e que tenham acesso a uma rede internacional de inovadores e mentores para colocar seus modelos de negócios em prática.