APRESENTAÇÕES

RECUPERAÇÃO DE SOLOS DEGRADADOS PARA A AGRICULTURA

Profa. Dra. Marlene Cristina Alves

“Os Principais Desafios da Recuperação de Solos Degradados”

A utilização incorreta dos solos agrícolas causa alterações negativas em seus atributos físicos, químicos e biológicos, diminuindo os seus potenciais produtivos, aumentando, assim, as áreas degradadas. No planejamento de recuperação de um solo degradado, os principais desafios a serem alcançados são: restabelecimento da sua estrutura e, consequentemente, das condições da camada superficial e subsuperficial, ou seja, um ambiente favorável às atividades agrícolas e/ou paisagísticas; vencer o imediatismo porque é necessário perseverança para se atingir o sucesso na meta da recuperação do solo; recurso humano com profissionais dispostos a elaborar e executar projetos, treinar técnicos, educar, pesquisar por anos a fio para detectar mudanças positivas no solo e, obtenção de recursos financeiros para a execução de projetos de recuperação de solos degradados. Em trabalho de recuperação, a primeira atividade compreende a identificação e caracterização dos processos de degradação atuantes e a análise de suas consequências ambientais. Para isso, é necessário o uso de indicadores que traduzam quantitativa e/ou qualitativamente o grau da degradação existente e, ainda, permitam estimar a dimensão dos esforços técnicos e econômicos que deverão ser alocados na recuperação. O estudo do carbono orgânico e a sua estabilização física e química é fundamental para a compreensão do processo de recuperação, sendo considerado um importante indicador da saúde do solo. A recuperação da qualidade do solo e o ganho com produtividade são processos lentos, e a obtenção de níveis estáveis de carbono no solo demora alguns anos para ser obtida. O processo de degradação do solo é rápido, as consequências desastrosas, e a recuperação é lenta e onerosa. Portanto, o homem pode causar ao solo, em um único ano agrícola, sérias consequências negativas como perda da sua camada superficial, pelo processo de erosão. Para retornar o potencial produtivo do solo, dependendo do grau de degradação, pode-se levar poucos anos a décadas. A degradação do solo não é um problema nacional e sim mundial. Cada continente, cada país com suas particularidades. Isso sem falar dos problemas não relacionados à agropecuária, como a expansão urbana sem planejamento, os aterros sanitários, a construção de hidrelétricas, aeroportos, estradas, entre outros. O que se tem certeza é que o avanço das áreas com solos menos produtivos e a escassez de água são uma realidade. A crise hídrica que se vive hoje é resultado da degradação do solo, devido à sua camada superficial ter sido perdida, removida ou enterrada, bem como da falta de vegetação para proteção dos mananciais. Por outro lado, a comunidade científica traz soluções técnicas como: rotação de culturas, plantas de cobertura, plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, cultivo reduzido, uso de resíduos no solo advindos da agroindústria, alternativas inovadoras para aprimorar os estudos na avaliação de solos submetidos à recuperação (espectrometria de massa, análises de imagens nos estudos quantitativos e qualitativos da estrutura do solo, técnicas de tomografia computadorizada, entre outras). Os principais desafios foram elencados, o problema equacionado, no entanto, o quadro mundial revela que aproximadamente 30 % dos solos do planeta estão degradados, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas). No Brasil, ao redor de 30 % dos solos das áreas cultivadas (90 milhões de ha) estão com algum grau de degradação, segundo a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Nessa batalha, as ações dos órgãos governamentais e de fomentos à pesquisa se fazem necessárias na resolução dos problemas da recuperação dos solos e, medidas têm sido tomadas, como, por exemplo, o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia (Pradam) em parceria com Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Edital CNPq MCT/CNPq/CT-Agronegócio/CT-Hidro/MAPA-SDC-SPAE Nº 44/2008, Edital FAPERJ n.º 23/2010 - Programa FAPERJ-FAPESP “Mudanças Climáticas Globais, entre outros. Certamente, a responsabilidade e o comprometimento da sociedade como um todo são fundamentais para que o processo de degradação dos solos possa ser revertido e se consiga utilizá-los causando o menor desequilíbrio ambiental possível, buscando a sustentabilidade. Medidas estas que são fundamentais para que se possa manter a conservação do solo, da água e da vida na face da Terra.

Prof. Dr. Diego Antonio França de Freitas

“Conservação do Solo: Ações para evitar a degradação de solos agrícolas"

A utilização inadequada dos solos agrícolas pode proporcionar erosão, perdas de água, desestabilização da estrutura física, redução da fertilidade, compactação, degradação ambiental, entre outros danos. O processo de manutenção da qualidade do solo é economicamente viável e ambientalmente correto quando comparados aos custos acentuados para a recuperação de uma área degradada. Para conciliar o aumento de produtividade e conservar os solos, deve-se respeitar as limitações químicas, físicas e biológicas de cada classe, considerando suas potencialidades e peculiaridades, analisar a aptidão agrícola e sua capacidade de uso e manejo. O solo bem conservado mantém a capacidade produtiva, a infiltração de água e recarga de nascentes, reduz o assoreamento de rios e o risco de enchentes, atua como um filtro ambiental, e proporciona a vida para uma incrível biodiversidade. Estes itens necessitam de atenção, principalmente quando estima-se que para os próximos 30 anos ocorrerá uma elevação de aproximadamente 40% na demanda de alimentos e que em torno de 30% dos solos mundiais possuem algum grau de degradação. Para produzir alimentos em quantidade e com qualidade, respeitando o ambiente e sendo socialmente justo, deve-se pensar no conceito de sustentabilidade e esse desafio será contornado em consonância com a conservação das áreas agrícolas. Para que o Brasil conserve seus solos de maneira adequada será necessária maior preocupação dos envolvidos no processo, com destaque para uma formação de técnicos especializados na área de conservação de solo, pesquisas direcionadas a esta temática, melhoria na transferência de tecnologia pelos órgãos públicos, políticas públicas de fortalecimento da conservação do solo e financiamento competitivo aos agricultores que desenvolvem projetos conservacionistas. A sociedade também deve estar envolvida e ser responsabilizada pela conservação, para que os solos brasileiros recebam a atenção e cuidados necessários.

Prof. Dr. Martin Diaz Zorita

Changes in soil management practices and current soil productivity challenges in the semiarid pampas”

The organization, extension and intensification of agricultural systems in the sandy pampas region of Argentina recently changed from rotated livestock and agricultural practices (“mixed systems”) to mostly pure agricultural systems under continuous no-tillage and moderate use of fertilizers. In this region, strong relationships between crop yields and soil properties, mostly related to water and nutrient storage, have been described. The purpose of this presentation is to expose about several of the changes and trends in the productivity of the soils of the region under the current management practices and to discuss potential challenges for the development of sustainable production practices. Soil organic matter levels decrease under continuous tillage practices after systems with pastures. But, the application of zero tillage practices contributed to maintain the original soil productivity properties. The crop and soil management practices widely performed during this period have contributed to the soil conservation and to the water use efficiency. However, the application of crop sufficiency fertilization programs could conduct to the reduction in the levels of soil extractable nutrients and in crop productivity. The present agricultural land use in the region requires to intensify in the use of indexes for the diagnosis of soils productivity independently of the actual relationships with today`s grain yields.

APRESENTAÇÕES

SANEAMENTO BÁSICO E MANEJO DE ÁGUA

Prof. Dr. José Fernando Thomé Jucá

“Gestão de resíduos sólidos no Brasil e suas consequências na contaminação ambiental”

O Brasil é o quinto maior gerador de resíduos sólidos urbanos do mundo, atingindo um valor de 76 milhões de toneladas por ano. Esta geração descontrolada começa a assumir proporções inimagináveis com consequências e impactos na sociedade brasileira. O encerramento dos lixões, a redução de consumo, o aproveitamento energético e seletivo dos materiais, sua reciclagem em escalas significativas, parecem ser desafios inatingíveis. Contribuem para isso a baixa formação de especialistas (mestres e doutores) no País, que não conseguem dar uma resposta a altura da dimensão deste problema. Hoje temos apenas 1,7% dos doutores formados no Brasil na área de resíduos sólidos ou 20 grupos de pesquisa dos 27.500 certificados pelo CNPq. Como consequência temos um baixo desenvolvimento tecnológico, poucas publicações em periódicos indexados e um insignificante depósitos de patentes de 17 tecnologias no Brasil (INPI, 2014), contra 26.881 no Mundo (WIPO, 2014) na área de tratamento de resíduos sólidos urbanos. Como consequência destes fatos temos no Brasil uma dependência tecnológica de equipamentos e processos importados para tratamento dos resíduos. Por outro lado, após mais de 20 anos de debates, em 2010 foi instituído o marco regulatório na área de resíduos sólidos, ao homologar a Política Nacional de Resíduos Sólidos, quase 30 anos depois de instituída a Política Nacional do Meio Ambiente, em 1981. Esta Lei veio completar o arcabouço legal que sustenta a implementação das políticas públicas no setor de resíduos, a erradicação dos lixões e a adoção de uma gestão efetiva dos resíduos sólidos urbanos (RSU) nos Estados e municípios brasileiros. Neste contexto, esta palestra apresenta a evolução da gestão e tratamento dos RSU no Brasil, além de suas consequências na contaminação dos recursos hídricos e nas emissões de gases para atmosfera. Os resultados revelam uma grande assimetria entre as formas de tratamento e destinação final de RSU nas diferentes regiões do país. Em algumas regiões, constata-se ainda a predominância de disposição final dos resíduos em lixões, com grandes comprometimentos dos recursos hídricos e da atmosfera; enquanto em outras, se observa a erradicação de lixões e implantação de aterros sanitários. Estas regiões atualmente apresentam uma tendência de diversificação nas formas de tratamentos, incluindo o aproveitamento de materiais e energia a partir de modelos mais evoluídos e adequados de gestão. Tais variações são creditadas às disparidades sócio econômicas, ambientais e culturais de cada região, reforçando a necessidade de formação de recursos humanos qualificados e analises de alternativas tecnológicas apropriadas e sustentáveis para a realidade de cada região do País.

Profa. Dra. Dulce Buchala Bicca Rodrigues

“Avaliação da segurança hídrica a partir da base conceitual, determinística e estocástica”

Incertezas climáticas, tendências de crescimento populacional e mudanças no estilo de vida são preocupações iminentes que ameaçam a segurança hídrica no Brasil e no mundo. Recentemente, o Sudeste Brasileiro experimentou uma estação chuvosa com quantidades extremamente baixas e inesperadas de chuvas, o que resultou em ações emergenciais e dispendiosas para suprimento da população da região metropolitana de São Paulo. Nesse sentido, a avaliação da segurança hídrica analisa os riscos às interações aceitáveis entre condições hidrológicas, funções ecossistêmicas e demandas sociais, incorporando múltiplas questões relacionadas à água que abrangem desde a política de recursos hídricos até questões hidrológicas específicas e suas influências na sociedade e ecossistemas. Vale ressaltar que variadas fontes de incertezas estão envolvidas na representação dos processos que caracterizam a própria segurança hídrica. Assim, a avaliação da segurança hídrica a partir de base conceitual, determinística e estocástica, busca estabelecer um baseline, examinando aspectos gerais da política de recursos hídricos e sistemas alocação de água, seguido da proposta de esquemas metodológicos determinísticos e estocásticos para avaliação da segurança hídrica em bacias hidrográficas. Diferentes escalas do 'Sistema Cantareira de abastecimento de água' (localizado no Sudeste do Brasil) são importantes bases de estudo de aspectos políticos e hidrológicos. O baseline conceitual sugere potenciais mudanças no sistema de gestão brasileiro das águas. Enquanto a avaliação determinística revela padrões espaciais e temporais dos resultados dos indicadores de escassez e vulnerabilidade, melhorando assim a compreensãode como e ondeameaças à segurança hídrica podem surgir. Por sua vez, a análise de incertezas desenvolvida é capaz de gerar suporte à gestores de recursos hídricose robustas tomadas dedecisão.