Objetivos

Ciclo: 50 anos de Ciências da Comunicação

O ciclo de conferências comemorativo do cinquentenário das Ciências da Comunicação no Brasil: a contribuição de São Paulo tem como proposta retornar às origens e à história das iniciativas de pesquisa nessa área do conhecimento, demarcando o espaço da Comunicação no âmbito das Ciências.

Foram necessários 50 anos de trabalho árduo para que as Ciências da Comunicação fosse reconhecida em sua organicidade sistêmica e compreendida como norteadora de um segmento importante do desejo inato de conhecer, enraizado em todos seres humanos. O retorno às ideias, obras e autores, já no contexto atual do século XXI, e às suas contribuições ao pensamento comunicacional no Estado de São Paulo, revelará que o avanço da Ciência da Comunicação ocorre em movimento espiralado que se amplifica desde os meados do século passado.

O objetivo geral do ciclo de conferencias é situar as comunicações no Brasil num contexto histórico, por meio da análise de um conjunto de textos clássicos da cultura brasileira, discutir a formação do pensamento crítico no país e avaliar sua influência nos modos específicos de averiguar a evolução deste pensamento, desde seus primórdios até os dias atuais.

Precursores, pioneiros, timoneiros e baluartes da Ciência da Comunicação

O evidente caráter mestiço da cultura brasileira, forjada nos tempos primeiros da colonização, se formou no convívio com a cultura europeia e ainda enfrenta obstáculos para consolidar uma identidade nacional, o que pode ser observado quando se compara o pensamento dos autores analisados e debatidos na primeira sessão do evento.

Nesse momento da história da cultura no Brasil, algumas características ainda persistem: o orgulho nacional e racial, o nativismo e a identificação de origem são sentimentos que têm sido aceitos ou rejeitados, conforme os ventos dos modismos.

É no interior desta formação paradoxal que elementos importantes podem ainda hoje ser observados. Esses elementos se revelam nos modos de ser do brasileiro e na tensão entre sociedade e instituições, e se oferecem como paradigmas – e como problemas – para discussões nas fronteiras das ciências sociais e humanas.

Os teóricos que fundamentam as ideias discutidas na área das Ciências da Comunicação formam um corpo substancial do que foi pensado e produzido também no Estado de São Paulo, traduzindo as variadas dimensões da diversidade de pensamentos que são aplicados na comunicação.

Instituições e institucionalidades

Refletir sobre os últimos 50 anos da Comunicação é também estudar um processo em contínua evolução para compreender como essas mudanças influenciaram as gerações de maneira marcante no desenvolvimento de uma área complexa como essa.

A proposta de acompanhar as ideias e seus autores, vinculados às instituições acadêmicas a que estiveram ou estão associados, são elementos importantes, pois é justo no espaço universitário que os debates, diálogos entre os meios e culturas acontecem.

Esse percurso permitirá entender o fluxo das ideias e a sua importância na construção do campo da Comunicação em São Paulo e constatar as transformações no pensamento dos próprios autores nos últimos 50 anos, por meio da análise comparada de seus primeiros textos e dos mais recentes, e que refletem a passagem do século XX para o XXI.

Media e mídias

Uma nova realidade no contexto da comunicação foi inaugurada no novo século, pautada pelo desenvolvimento vertiginoso dos media, reféns da aceleração das pesquisas científicas de base que alimentam as Ciências Aplicadas, e da implementação de tecnologias voltadas para o incremento e produção de instrumentos e artefatos utilizados nos processos comunicacionais com rapidez de obsolescência.

As instituições de mídia ganharam força. Assumem papéis importantes – tanto de caráter normativo como de formação do ‘juízo’ público –, confirmando sua condição de poder junto aos poderes do Estado, status já antevisto pelo historiador inglês, Thomas Carlyle, desde os meados do séc. XIX, e que é notadamente forte na área de telecomunicação, considerando suas qualidades de portabilidade, simultaneidade e ubiquidade, refletidas nas intercomunicações individuais e de grupo viabilizadas pela Internet.

Por um pensamento comunicacional brasileiro

Quase todas as grandes lutas que objetivaram consolidar o campo acadêmico da Comunicação no Brasil aconteceram por imposição de ideias e como consequência da divisão do mundo. O propósito deste Ciclo de Conferências é subsidiar as novas gerações de pesquisadores que resistem em seus espaços e fortalecer criticamente a área, estabelecendo um pensamento comunicacional brasileiro demandado pelas transformações cultural e o comunicacional.

A Comunicação em nosso país mudou no que diz respeito aos media, à indústria cultural, à pesquisa e ao ensino . Pode-se afirmar que a História da Comunicação não se separa dos grandes acontecimentos e dos grandes embates que possibilitaram a construção do universo multifacetado da Comunicação que temos hoje.

Saberes teórico x conhecimento empírico

A cisão nos meios acadêmicos entre os puramente teóricos e os empíricos, que enfatizam a prática; e a cisão entre universidade e mercado, no que diz respeito às diferentes habilitações profissionais ofertadas aos que buscam o Ensino na área, serão alguns dos temas a serem examinados por intermédio dos livros de pesquisadores da área.

Buscar referências históricas em textos clássicos de pensadores nacionais e universais que influenciaram a comunicação no Brasil foi o caminho encontrado para fazer a passagem do século passado para o atual, e para ir mais além: voltar no tempo e situar os nossos autores ante às clássicas referências como Aristóteles, Quintiliano, John Milton, entre outros autores fundamentais para se entender a Comunicação do Século XX pelo viés epistemológico.

A atenção estará voltada para a Comunicação em seu estágio atual, demandando, primeiramente, associá-la ao poder ou aos que dela se apropriaram para exercer o poder econômico de forma tanto concreta quanto simbólica, para depois empreender a complexa tarefa de entender a sociedade mediatizada de massa, assim como os produtores de conteúdo que veiculam seus trabalhos nos meios de difusão coletiva com grande peso ideológico.

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Cultura de massas

A cultura de massas merecerá destaque especial, considerando a influência europeia e norte-americana e suas consequências. O cinema, a televisão, o jornalismo são o resultado da interação entre teorias e práticas importadas e em processos contínuos de aclimatação, amadurecimentos e adaptação à nossa realidade.

Culturalismos e culturalistas

As ideias ocupam importante espaço no evento. As teorias culturalistas, assumidas como matrizes seminais, conseguem justificar um pensamento que se desenvolveu no Brasil e na América Latina inteira.

As consequências e os resultados das políticas comunicacionais implantadas a partir dos conglomerados e oligarquias podem ser observados no ensino e na pesquisa em comunicação. Não se trata aqui de retomar a velha divisão proposta por Umberto Eco, entre apocalípticos e integrados, mas de analisar uma sequência de projetos políticos implantados no Brasil, cujos resultados são perceptíveis na formação de uma mão de obra sem consciência de suas raízes.

Reabilitar os pensadores brasileiros é um dever em função não somente da importância de suas ideias, mas também dos desdobramentos da comunicação nos dias atuais.

A construção do campo da Comunicação também faz surgir implicações políticas e influências de ideias vindas da Europa e Estados Unidos, mudando os modos de se pensar e praticar a comunicação no Brasil.

A comunidade acadêmica da área da Comunicação, representada pelos livros e ideias dos autores analisados, são o resultado desse universo mutante, tanto no Brasil como no mundo.

Comunicação e Mercado

O Ciclo possibilitará ainda o debate sobre a comunicação e o mercado, confrontado com ideias que defendem a academia como locus apropriado de reflexão, inclusive sobre o mercado. São polos antagônicos que, se por um lado, desvelam uma aquiescência ao pragmatismo, por outro, demonstram uma tentativa de conjugar uma consciência crítica com conhecimento profundo, que garantiria trabalho duradouro, independente das ondas tecnológicas.

As distorções curriculares, neste sentido, sempre existirão: as universidades ainda não aprenderam a conviver com a tradição sem confrontá-la com novidades. Decorrem daí as tentativas de ingerências do mercado na academia. Busca-se preservar o convívio com o novo sem cair nas armadilhas ideológicas oriundas da crença de que a tecnologia resolve todos os problemas e traz soluções infalíveis.

Diálogos culturais

A consciência do gigantismo nacional torna necessário o diálogo entre as regiões do país, para observar as diferenças nas abordagens da comunicação no que se refere aos conglomerados comunicacionais e a academia, o ensino e a pesquisa.

As diferenças entre as teorias de matrizes comunicacionais norte-americanas e europeias têm influência distinta nos diversos países da América Latina. São as culturas que, multiplicadas em comunidades, se alimentam paradoxalmente de aparatos midiáticos, ao mesmo tempo em que tentam resistir a seu domínio quando aparelhadas para o enfrentamento da ameaça que representa a força cada vez maior do poder político e econômico.

Será necessário retomar autores de todo ao país que contribuíram com suas ideias para a construção dessa área do conhecimento Há, entre eles, os precursores, os vanguardistas, os ativistas e os carreiristas, com destaque para a presença das mulheres e a contribuição das pesquisas acadêmicas.

Comunicação e Redes Sociais

O século XXI, diante dos avanços tecnológicos e do acesso cada vez maior dos consumidores de informação e de ideologias, demanda discussões que abarquem não só a popularização da comunicação por meio de redes sociais, mas também as novas práticas que estes usos implicam.

As consequências desta grande mudança ainda não foram sequer imaginadas e muito menos configurada, no que se refere a conceitos e teorias, ante a dificuldade de se trabalhar com a contemporaneidade. Este ciclo de Conferências poderá ser o primeiro passo.

Público alvo: estudantes de graduação, especialização, mestrado e doutorado das Ciências da Comunicação e demais público interessado. Evento aberto e gratuito