Simpósio Científico sobre Oceanografia e Defesa Sanitária Animal e Vegetal

 

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP, e a Fundação Bunge têm a satisfação de convidá-lo para participar do Simpósio Científico sobre

Oceanografia e Defesa Sanitária Animal e Vegetal.

O evento integra as atividades do 56º Prêmio Fundação Bunge e 32º Prêmio Fundação Bunge Juventude, que este ano serão outorgados às áreas de Oceanografia e Defesa Sanitária Animal e Vegetal, respectivamente.

Serão palestrantes os contemplados dos prêmios.

Data: 12 de setembro de 2011

Horários:
9h30 às 12h10 – Seminário de Oceanografia
14h às 16h20 – Seminário de Defesa Sanitária Animal e Vegetal

Local: FAPESP - Auditório Governador Carlos Alberto de Carvalho Pinto - Rua Pio XI, 1500 - Alto da Lapa – São Paulo
Sugestão de estacionamento Tonimar: Rua Jorge Americano, 89

Mais informações: (11) 3838-4216 / 4362

Evento isento de taxa de inscrições.

 

PROGRAMA

OCEANOGRAFIA DEFESA SANITÁRIA ANIMAL E VEGETAL
9h30 Credenciamento/Café 14h00 Credenciamento/Café
10h00 Abertura dos Trabalhos - Representantes da Fapesp e da Fundação Bunge 14h30 Abertura dos Trabalhos – Representantes da Fapesp e Fundação Bunge
10h20

Apresentações

Marcadores orgânicos geoquímicos: tendências atuais e perspectivas em estudos oceanográficos e ambientais 
Prof. Dr. César de Castro Martins - Premiado Fundação Bunge Juventude – Oceanografia - UFPR PDF

O paradoxo ártico: O que os rios árticos têm em comum com os rios do semi-árido do NE quando chegam ao mar 
Prof. Dr. Luiz Drude de Lacerda - Premiado Fundação Bunge– Oceanografia – UFC  PDF
 

Projeto Alpha Crucis 
Prof. Dr. Michel Michaelovitch de Mahiques - Diretor do Instituto de Oceanografia da USP  PDF
 

14h50

Apresentações

Vírus respiratórios aviários: Epidemiologia, Diagnóstico e Controle

Profa. Dra. Helena Lage Ferreira - Premiada Fundação Bunge Juventude – Defesa Sanitária – USP PDF

Controle Biológico no Brasil: ficção ou realidade?
Prof. Dr. José Roberto Postali Parra - Premiado Fundação Bunge – Defesa Sanitária PDF

 
11h30

Considerações dos debatedores / Perguntas do Plenário

- Prof. Dr. Adalto Bianchini – Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande - FURG
- Prof. Dr. Ana Maria Setubal Pires-Vanin, Instituto de Oceanográfico da Universidade de São Paulo - USP - Contra-Almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire – Instituto de Estudos do Mar da Marinha do Brasil  
15h40

Considerações dos debatedores / Perguntas do plenário

- Prof. Dr. Adalberto Luis Val - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
- Prof. Dr. Adriano Brandelli – Inst. de Ciência e Tecnologia dos Alimentos da Univ. Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS - Dr. Pedro de Camargo Neto – Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína - Abipecs  
12h10

Encerramento

16h20 Encerramento

 

Prof. Dr. César de Castro Martins (voltar ao índice)
Premiado Fundação Bunge Juventude 2011
Oceanografia

Formado em Química (1998), possui mestrado (2001), doutorado (2005) e pós-doutorado (2006) em Oceanografia Química e Geologia, pela Universidade de S. Paulo – USP. Foi pesquisador visitante do Environmental Change Research Centre, da University College of London, no Reino Unido, em 2006. Suas produções e contribuições para a área de Oceanografia, em especial em Geoquímica Orgânica e Poluição Marinha, são intensas. Atualmente é Professor Adjunto III do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná – UFPR e coordenador de três projetos de pesquisa que visam entender as mudanças ambientais na costa paranaense, utilizando marcadores orgânicos geoquímicos como indicadores. É bolsista de produtividade do CNPq (nível 2), credenciado nos Programas de Pós-graduação em Oceanografia (IO-USP) e Sistemas Costeiros e Oceânicos (UFPR), sendo coordenador deste último e revisor de diversas revistas científicas. Desde 1999, desenvolve pesquisas para o Programa Antártico Brasileiro e é responsável por estudos de monitoramento ambiental relacionados à introdução de esgoto descartado por estações de pesquisa na região da Ilha Rei George, dentro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais – INCT-APA. Coordena o Núcleo Regional (PR) do Projeto PaleoAntar, que visa identificar eventos de mudanças bruscas no clima da Antártica, auxiliando a comunidade científica internacional no entendimento da dinâmica ambiental atual do planeta. Publicou 19 artigos científicos, orientou três mestrados e está orientando dois doutorados.

Marcadores orgânicos geoquímicos: tendências atuais e perspectivas em estudos oceanográficos e ambientais (voltar ao índice)

Um dos maiores desafios dos químicos marinhos tem sido à busca de indicadores de processos naturais e antrópicos, a qual os ambientes costeiros e oceânicos estão sujeitos. Os marcadores orgânicos geoquímicos são substâncias de natureza específica e de grande estabilidade química. Podem permanecer no ambiente por longos períodos sem sofrer transformações, mantendo o registro de suas origens. Destacam-se os hidrocarbonetos, esteróides, alcoóis, ácidos e ésteres graxos. Com base nas concentrações de marcadores específicos em sedimentos marinhos, é possível avaliar as fontes de contaminantes ambientais, a distribuição de matéria orgânica, variações de produtividade e alterações temporais na biodiversidade marinha. São ferramentas úteis na caracterização das alterações ambientais, induzidas pelas mudanças climáticas atuantes no planeta em diferentes escalas de tempo. A apresentação de estudos recentes utilizando estes indicadores geoquímicos, a introdução de novos marcadores e as perspectivas de pesquisas nesta área serão discutidas nesta palestra.

Profa. Dra. Helena Lage Ferreira (voltar ao índice)
Premiada Fundação Bunge Juventude 2011
Defesa Sanitária Animal e Vegetal

Formada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP (2003), possui doutorado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2007) e pós-doutorado em Influenza Aviária pelo Veterinary Agrochemical Research Centre – VAR, na Bélgica (2008). Sua tese de doutorado emprega a tecnologia do RNA de interferência (material genético viral) no controle de vírus do trato respiratório de aves, resultando em importantes achados de pesquisa na área de sanidade aviária e abrindo futuros estudos para a avaliação de uma eficiente ferramenta para evitar o escape viral. Atua na área de Virologia Aviária, participando de diferentes projetos, com colaborações nacionais e internacionais, voltados ao diagnóstico e pesquisa de vírus causadores de prejuízo a indústria avícola, desenvolvimento de métodos diagnósticos eficientes e vacinas. É também professora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo – USP, Campus Pirassununga. Sua atividade científica originou 16 publicações em periódicos de reconhecida relevância internacional, voto de congratulação do Conselho Universitário da UNICAMP, Menção Honrosa no XV Congresso de Iniciação Científica da UNESP e Prêmio de melhor trabalho na categoria Jovem Cientista do 7º Simpósio Internacional em Influenza Aviária, na Universidade da Geórgia, no EUA.

Vírus respiratórios aviários: Epidemiologia, Diagnóstico e Controle (voltar ao índice)

A sanidade dos plantéis avícolas brasileiros deve ser monitorada com o objetivo de manter o status produtivo alcançado nos últimos anos. Em relação a esta sanidade, as doenças respiratórias estão associadas na avicultura a grandes perdas econômicas em todo o mundo, sendo as enfermidades virais reconhecidas como o maior desafio da avicultura moderna. O vírus da doença de Newcastle, vírus da influenza aviária, o vírus da bronquite infecciosa e o metapneumovírus aviário estão entre os principais patógenos de doenças respiratórias em aves comerciais. As aves silvestres são hospedeiros naturais desses vírus, favorecendo assim sua disseminação. Os programas de controle destas enfermidades devem ser baseados no conhecimento epidemiológico de cada agente no país. Por isso, a vigilância ativa é importante para determinar a incidência, prevalência e impacto econômico causado pelo agente etiológico envolvido e deve ser realizada através de técnicas rápidas de diagnóstico capazes de detectar e diferenciar os agentes envolvidos. Desta forma, uma avaliação fidedigna da eficácia das vacinas utilizadas nos plantéis avícolas poderá ser alcançada.

Prof. Dr. José Roberto Postali Parra (voltar ao índice)
Premiado Fundação Bunge 2011
Defesa Sanitária Animal e Vegetal

Formado em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP (1968), possui mestrado e doutorado em Entomologia pela Universidade de São Paulo – USP (1972 e 1975, respectivamente) e pós-doutorado pela Universidade de Illinois, EUA (1978). Desde a década de 70 dedica-se a estudar o ciclo de vida dos insetos de importância para agricultura, contribuindo com soluções práticas e de grande impacto econômico. Suas atividades científicas estão relacionadas com técnicas de criação e nutrição de insetos para controle biológico e alternativas de controle de insetos. Seus estudos permitiram, por exemplo, o controle da broca da cana e outras culturas como milho, hortaliças, flores e soja também estão se beneficiando desta tecnologia. Nos últimos anos tem se envolvido com a utilização de feromônios e o controle biológico do bicho-furão que ataca os citros. Parra iniciou sua atividade profissional no Instituto Agronômico de Campinas – IAC, permanecendo na Instituição até 1974 e desde então trabalha na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP, onde, hoje, é professor titular. Exerceu ainda, na instituição, o cargo de diretor de 2003-2007 e coordenador do programa de Pós-Graduação em Entomologia. Possui mais de 280 trabalhos publicados, 17 livros e contribuiu com a formação de mais de 90 profissionais em nível de mestrado e doutorado. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências e da Academy of Sciences for the Developing World (TWAS) e pesquisador 1A do CNPq. Recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2002 e foi admitido na classe Gran Cruz desta mesma ordem em 2010.

Controle Biológico no Brasil: ficção ou realidade? (voltar ao índice)

Assim como somos líderes na Agricultura Tropical, com tecnologias inovadoras e próprias e que fazem do Agronegócio o sustentáculo da nossa economia, o Controle Biológico (CB), com parte do Manejo  Integrado de Pragas (MIP), também deveria seguir o mesmo caminho, pois a nossa Agricultura tem características peculiares, que podem inviabilizar a utilização do Controle Biológico, se for “copiado” da forma como vem sendo feito em outros países. Portanto, foi necessária a criação de uma “cultura de CB” com a formação de recursos humanos treinados a partir da década de 1960 em Cursos de PG no país e no exterior A massa crítica treinada em CB, que representa de 20 a 25% do total de Mestres e Doutores formados no país, conseguiu conduzir programas inter e multidisciplinares que, após o início no estado de São Paulo, irradiaram para todo o país. Hoje, temos programas comparáveis ou mesmo superiores aos melhores do mundo, como em cana-de-açúcar, em que em uma extensão quase equivalente à metade da área plantada no Brasil, utiliza-se CB, seja Cotesia flavipes ou Trichogramma galloi, para controlar a broca-da-cana, Diatraea saccharalis. São 3,5 milhões de ha, tratados com esses agentes de controle biológico, ao lado dos 2 milhões de ha tratados com Metarhizium anisopliae para controlar a cigarrinha-de-raiz,  Mahanarva fimbriolata. Existem desafios a serem vencidos, desde o aceite da nova tecnologia, até a disponibilidade dos agentes de controle biológico, hoje mais acessíveis e distribuídos por empresas. O CB já é uma realidade em nosso país, a despeito das dificuldades apontadas, tendo o seu espaço, que poderá ser ampliado para determinadas culturas e condições, e atendendo às peculiaridades de uma agricultura tropical de extensas áreas plantadas.

Prof. Dr. Luiz Drude de Lacerda (voltar ao índice)
Premiado Fundação Bunge 2011
Oceanografia

O carioca Luiz Drude de Lacerda, de 55 anos, possui graduação em Biologia (1977), mestrado (1980) e doutorado (1983) em Ciências Biológicas, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Sua carreira está baseada na área de Ecologia, com ênfase em Biogeoquímica e Contaminação Ambiental. Drude foi  Professor Visitante da Université de Toulon et du Var (França), entre 1998 e 2006 e coordenou o Instituto do Milênio “Transferência de Materiais na Interface Continente-Oceano”, de 2005 a 2008. Atuou também como membro do Comitê Assessor CA-EL do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e dos Comitês de Assessoramento das Áreas de Geociências e Multidisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. Foi Editor-Chefe da Sociedade Brasileira de Geoquímica (Geochimica Brasiliensis). Atualmente é professor e coordenador do programa de pós-graduação em Ciências Marinhas Tropicais do Instituto de Ciências do Mar, da Universidade Federal do Ceará – UFC e membro da Comissão Científica sobre Interação Terra-Oceano no “Coastal Zone-International Geosphere Biosphere Program” - LOICZ-IGBP e do Conselho Cientifico da Sociedade Internacional para Ecossistemas de Manguezais. O pesquisador ainda coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Transferência de Materiais Continente-Oceano e é membro do Comitê Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.  Publicou 190 artigos científicos de reconhecimento internacional, foi citado 1175 vezes, orientou 31 mestres e 15 doutores. É pesquisador nível 1A do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências.

O paradoxo ártico: O que os rios árticos têm em comum com os rios do semi-árido do NE quando chegam ao mar (voltar ao índice)

A região Ártica é uma das mais afetadas pelas mudanças climáticas globais mostrando um aumento generalizado da temperatura afetando o degelo e o tempo de residência de massas de água nas zonas estuarinas, resultando em aumento da mobilização e incorporação biológica de poluentes incluindo o Hg. Apresento aqui a teoria que denominamos de “Paradoxo Ártico”, sugerindo que mecanismos análogos aos ocorrentes na Região Polar Ártica atuam no litoral semi-árido do nordeste brasileiro.

Nos rios do semi-árido, a maior mobilização de Hg biodisponível, e talvez de outros contaminantes, é diretamente relacionada ao aumento do tempo de residência da massa de água na região estuarina, permitindo a aceleração dos processos biogeoquímicos de transformação do Hg, particularmente a metilação e a complexação orgânica. O reduzido fluxo fluvial, atualmente em diminuição, alimentado por períodos cada vez mais curtos de chuva, resulta em bloqueios dos fluxos fluviais pela entrada da maré, aumentando o tempo de residência das águas nas regiões estuarinas e deltaicas e conseqüentemente a mobilidade e reatividade de substâncias químicas. Nossos estudos tem mostrado um aumento da exportação de Hg biodisponível nos períodos de seca quando ocorre maior tempo de residência das águas no estuário e que este fenômeno tem se intensificado com as mudanças climáticas globais

Prof. Dr. Michel Michaelovitch de Mahiques (voltar ao índice)
Diretor do Instituto de Oceanográfico da USP

Possui graduação em Geologia pela Universidade de São Paulo (1983), mestrado em Oceanografia (Oceanografia Física) pela Universidade de São Paulo (1987) e doutorado em Oceanografia (Oceanografia Biológica) pela Universidade de São Paulo (1992). Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo. Membro de Corpos Editoriais e de Referees de diversas revistas da área. Membro do Comitê de Geociências da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Tem  experiência na área de Oceanografia, com ênfase em Sedimentologia Marinha, atuando principalmente nos seguintes temas: sedimentação e estratigrafia de região costeira, plataforma continental e margem continental, com mais de 50 artigos publicados em publicações arbitradas. Líder do projeto IGCP526 (Risks, Resources, Record of the Past in the Continental Shelves). Atualmente exerce o cargo de Diretor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

Projeto Alpha Crucis (voltar ao índice)

AUMENTO EM CAPACIDADE DE PESQUISA EM OCEANOGRAFIA E CIÊNCIAS RELACIONADAS NO ESTADO DE SÃO PAULO: O PROJETO ALPHA CRUCIS

Em 2007, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) concluiu um estudo chamado Mar e Ambientes Costais. A finalidade desse estudo era estabelecer uma pauta de metas científicas, tecnológicas e de inovação de médio e longo prazo, o objetivo final sendo uma ocupação efetiva do Território Marinho Brasileiro e a expansão da presença brasileira no Atlântico Sul e Equatorial. O Alpha Crucis é um navio hidroceanográfico que foi construído originalmente em 1974. Passou por reformas em 1984 e 2000 e tem sido mantido em excelente estado de funcionamento desde então. Com deslocamento de 972 toneladas, a embarcação tem 64 metros de comprimento por 11 metros de largura.

O navio possui um conjunto de equipamentos científicos que elevará a pesquisa oceanográfica brasileira a patamares equivalentes aos das instituições mais importantes do mundo.