INCT de Análise Integrada do Risco Ambiental

OBJETIVOS

A saúde ambiental é uma das áreas onde existe uma grande distância entre o conhecimento e a ação. Há uma quantidade considerável de evidências que relacionam conseqüências adversas à saúde à poluição, embora as ações efetivas e as políticas públicas se confrontem com necessidades econômicas, criação de empregos e conflitos entre os atores envolvidos. A distância entre o conhecimento e as ações efetivas é maior nos países em desenvolvimento, onde é grande a necessidade do crescimento econômico e onde a avaliação e a percepção do risco são menos desenvolvidas.

Para e equipe deste INCT, um dos elos mais fracos da cadeia de eventos do desenvolvimento econômico é o impacto na saúde de algumas decisões econômicas em termos de alternativas de energia e de sua sustentabilidade. Devido ao fato do Brasil ainda possuir grandes áreas inexploradas em seu território, a pesquisa ambiental se concentra principalmente nas florestas e nos ecossistemas naturais, sendo que as conseqüências dos impactos ambientais nos seres humanos ficam relegadas ao segundo plano.

Há que se fazer, portanto, frente a dois cenários importantes. Em primeiro lugar, o Governo Brasileiro se move na direção da implementação dos biocombustíveis como parte de sua estratégia de auto-suficiência energética. Este movimento foi dado antes da realização de análises consistentes sobre as conseqüências para a saúde, expressas em termos de produção e de emissões. Em segundo lugar, o crescimento econômico do Brasil aumentou enormemente as áreas potencialmente impactadas pela poluição produzida pela agricultura, indústrias, incêndios florestais, emissões veiculares e geração elétrica.

Considerando o tamanho do território brasileiro e a distribuição desigual da capacidade técnica e acadêmica para a realização de estudos de avaliação de risco em todo o país, faz-se obrigatório ampliar a pesquisa, em termos de quantidade, qualidade e distribuição. Em outras palavras, a boa ciência, a avaliação de risco e avaliação econômica são as ferramentas necessárias para evitar os erros inerentes ao crescimento econômico descontrolado.

As metas do instituto são divididas em três perspectivas:

  • Pesquisa

            A variedade de conhecimentos necessária para abarcar os principais aspectos da transição energética do Brasil: o risco comparativo representado por diferentes tipos de biocombustíveis e os novos riscos representados pela expansão das fronteiras da poluição para áreas desprovidas de suficiência tecnológica. Este ponto implica no desenvolvimento de estudos epidemiológicos, clínicos e toxicológicos competentes.

A missão de nosso Instituto, em bases científicas, pode ser resumida como se segue:

a) utilizar as alterações induzidas pela exposição a poluentes atmosféricos como uma oportunidade para compreender a biologia humana;

b) incorporar a saúde humana no processo de definição das fontes de energia, no planejamento industrial e nas políticas de transportes;

c) avaliar o impacto básico do uso de combustíveis sobre a saúde.

  • Educação

Com a geração de conhecimento e a criação de redes de pesquisa que agrupem os necessários grupos de expertise, torna-se obrigatório criar um programa educacional, desde a educação fundamental até a pós-graduação, visando aumentar a participação da saúde ambiental na pauta brasileira de pesquisas.

Assim, em termos de educação, a missão de nosso Instituto é:

a) aumentar a densidade de pessoas capacitadas interessadas em saúde ambiental;

b) incorporar as ciências ambientais na educação de crianças e adolescentes;

c) estabelecer estratégias responsáveis para comunicar o risco ambiental para a população em geral.

  • Políticas públicas

É fundamental que todo o conhecimento gerado e divulgado possa ser aplicado não apenas em nível individual, mas adotado coletivamente sob a forma de políticas públicas. A missão de nosso Instituto, em termos do estabelecimento de políticas públicas, é a seguinte:

a) desenvolvimento de métodos simples, eficientes e de baixo custo para a avaliação da exposição, das fontes e dos riscos impostos pelos contaminantes atmosféricos, a ser aplicados em áreas sem infra-estrutura de monitoramento convencional da poluição atmosférica;

b) oferecer suporte para autoridades municipais, estaduais e federais na avaliação do risco e dos efeitos na saúde em áreas críticas. Neste caso, começaremos avaliando áreas de interesse do VIGIAR.

c) gerar informação para a incorporação da saúde ambiental nos processos decisórios nas áreas de energia, indústria e transportes.