Processo 14/016

Pesquisadores denunciados: Marcos Roberto de Vasconcelos Lanza e Wylliam Roger Padilha Barros

Instituição: Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo

Em 2 de setembro de 2013, o Dr. Marcos Roberto de Vasconcelos Lanza, do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo, encaminhou à FAPESP solicitação de Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático (Processo2013/18503-9), na qualidade de coordenador de uma equipe de 32 pesquisadores, de diferentes instituições de pesquisa. O assessor ad hoc encarregado pela FAPESP da análise de mérito da solicitação identificou, na parte introdutória do projeto de pesquisa apresentado, vários trechos copiados de trabalhos de outros autores, sem aspas nem referências a esses trabalhos.

Em 21 de janeiro de 2014, a FAPESP solicitou ao Dr. Lanza esclarecimentos a respeito dessa alegação de plágio. Em resposta datada de 19 de fevereiro de 2014, o pesquisador reconheceu a ocorrência da cópia, sem aspas nem indicação de autoria, de trechos de trabalhos de outros pesquisadores. Nessa resposta, o Dr. Lanza afirmou que o texto do projeto de pesquisa apresentado fora elaborado por “praticamente todos os pesquisadores e alunos de pós-graduação participantes da proposta” e ele se encarregara de “alinhavar” os trechos fornecidos por cada um deles. Afirmou que os responsáveis pelas cópias foram repreendidos e foi adotada a determinação de que futuramente a autoria de qualquer material escrito produzido por membros da equipe de pesquisa fosse testada com o auxílio de ferramenta computacional de detecção de plágio.

Em 25 de abril de 2014, conforme o disposto na seção 6 de seu Código de Boas Práticas Científicas, a FAPESP notificou a instituição de pesquisa do recebimento da alegação de plágio e solicitou que tomasse as providências previstas na referida seção do Código.

Em ofício datado de 16 de maio de 2014, o Diretor do Instituto de Química informou à FAPESP que havia sido conduzido processo administrativo interno sobre a alegação. No curso desse processo, o pesquisador denunciado reiterou o que havia afirmado em sua resposta à FAPESP. O processo concluiu que “não se constatou nada que indicasse um comportamento antiético ou que vá contra o código de conduta em pesquisa científica.”

Em 10 de setembro de 2014, a FAPESP deu ciência ao pesquisador denunciado das conclusões do processo administrativo conduzido pelo Instituto de Química. Em 16 de setembro de 2014, o pesquisador respondeu a esse ofício. Reiterou os esclarecimentos anteriormente prestados e informou ter disponibilizado aos responsáveis pela condução do processo administrativo todos os dados necessários para a apuração da alegação de má conduta.

Em 5 de outubro de 2015, após análise das conclusões do processo administrativo conduzido pelo Instituto de Química e dos comentários do pesquisador a seu respeito, a FAPESP solicitou ao Instituto que identificasse os membros da equipe de pesquisa em causa que teriam sido responsáveis pelo plágio. Em 14 de outubro de 2015, o pesquisador denunciado identificou, como responsável pelo plágio, Willyam Róger Padilha Barros, então seu orientando no Programa de Doutorado do Instituto de Química. Em documento enviado à FAPESP, com data de 13 de outubro de 2015, Wylliam Róger Padilha Barros admitiu sua responsabilidade pelo plágio e retratou-se, atribuindo a prática da má conduta à sua “falta de experiência e adequado conhecimento a respeito de boas práticas de conduta científica. ”

Em 28 de abril de 2017, com base na documentação constante do processo, FAPESP declarou ter ocorrido o plágio alegado, pelo qual foi diretamente responsável Wylliam Róger Padilha Barros. Tendo em vista que, ao apresentar um projeto de pesquisa à FAPESP, um pesquisador assume a responsabilidade objetiva por seu conteúdo, a FAPESP declarou que o Dr. Marcos Lanza foi objetivamente responsável pelo plágio, sem intenção e com atenuantes, pois reconheceu prontamente a ocorrência do plágio, tomou medidas eficazes para prevenir que a situação viesse a se repetir e não há indícios de que essa ocorrência fosse conhecida por ele no momento da apresentação do projeto.

A FAPESP advertiu os responsáveis pelo plágio, determinou que fosse denegada a solicitação de auxílio fundamentada pelo projeto de pesquisa em questão e declarou Wylliam Róger Padilha Barros impedido de receber auxílios e bolsas da FAPESP pelo período de 24 meses, a partir dessa data.

Em 2 de agosto de 2017, a FAPESP encaminhou aos pesquisadores cópia da Declaração Decisória por ela emitida, para ciência e eventual manifestação. Os pesquisadores não se manifestaram.

Data de publicação na página da FAPESP: 24/11/2017

[Manter na página por 24 meses, a partir da data de publicação.]